• 18 de junho de 2025
  • JORNAL DO MEIO AMBIENTE DO ESTADO DE SÃO PAULO
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Brasil e Itália se unem no combate ao calor extremo e ao aquecimento global

Países anunciam iniciativas em reunião na Alemanha que preparam o caminho para a COP30, em Belém (PA), com foco no resfriamento sustentável das cidades
Em um esforço conjunto para enfrentar os efeitos do aquecimento global, Brasil e Itália anunciaram, na última sexta-feira (13/6), novas iniciativas climáticas, durante a Reunião de Pontos Focais dos Signatários do Compromisso Global de Resfriamento, realizada em Bonn, na Alemanha. O encontro faz parte dos preparativos para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), marcada para novembro deste ano, em Belém (PA).


O Brasil, em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), lançou o “Mutirão contra o Calor Extremo”, uma ação global que busca apoiar municípios na realização de diagnósticos sobre ilhas de calor, desenvolvimento de projetos urbanos sustentáveis e soluções para enfrentar as altas temperaturas que atingem principalmente as populações mais vulneráveis.


Por sua vez, a Itália comprometeu-se a investir US$ 2 milhões no Compromisso Global de Resfriamento, uma iniciativa criada na COP28, nos Emirados Árabes, que busca reduzir em até 68% as emissões relacionadas à refrigeração até 2050 e ampliar o acesso a tecnologias de resfriamento sustentável até 2030. O país europeu também lançou novos financiamentos por meio do EPIC — Mecanismo de Implementação do Compromisso de Habilitação para o Resfriamento, que oferecerá tanto assistência técnica quanto recursos financeiros para cidades que implementarem soluções sustentáveis.


Desafio climático global
O tema do resfriamento sustentável ganha cada vez mais relevância diante dos dados alarmantes. Segundo o Relatório Global para o Resfriamento 2023, se não houver mudanças, a demanda crescente por refrigeração pode gerar até 6,1 gigatoneladas de CO? até 2050. Além disso, mais de 1 bilhão de pessoas no mundo ainda não têm acesso adequado a meios para resfriar alimentos, medicamentos e garantir o funcionamento de suas atividades econômicas.


“Devemos proteger os mais vulneráveis do calor extremo”, ressaltou Adalberto Maluf, copresidente do Compromisso Global de Resfriamento e secretário nacional de Meio Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). “Trazer a natureza de volta às nossas cidades é essencial para a mitigação, adaptação e também para torná-las mais habitáveis e resilientes.”


A diretora-executiva da COP30, Ana Toni, reforçou que o resfriamento sustentável será uma das prioridades da conferência em Belém. “Nosso objetivo é transformar as cidades em motores de adaptação climática e garantir que ninguém fique para trás na luta contra o calor extremo”, destacou.


Soluções que transformam
O compromisso internacional se alinha com práticas como o design passivo em construções, o uso de materiais que reduzem a absorção de calor, o aumento de áreas verdes urbanas e a modernização dos sistemas de refrigeração, tornando-os mais eficientes e menos poluentes.


“O resfriamento sustentável não é apenas uma necessidade climática, mas uma oportunidade para gerar desenvolvimento social e econômico, protegendo vidas e contribuindo para que o planeta permaneça dentro do limite de aquecimento de 1,5?°C”, afirmou Martin Krause, diretor da Divisão de Mudanças Climáticas do PNUMA.


A cooperação entre Brasil, Itália e outros países no âmbito do Compromisso Global de Resfriamento reforça que a solução para a crise climática exige ações conjuntas, ousadas e urgentes — e que a COP30 será palco de discussões decisivas para o futuro do clima no planeta.


Por Amanda Carolina Tostes

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