• 17 de novembro de 2025
  • JORNAL DO MEIO AMBIENTE DO ESTADO DE SÃO PAULO
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COP30 entra em reta decisiva com pressão por metas climáticas em Belém

Por Amanda Carolina Tostes
A Conferência do Clima da ONU entra nesta segunda-feira (17) em uma fase crucial das negociações, marcada por pressões internacionais para que os países definam um caminho claro para a redução do uso de combustíveis fósseis, além de fortes manifestações de povos indígenas e debates sobre o financiamento climático. Nos últimos dias, as principais autoridades presentes têm reforçado que o mundo está atrasado em relação ao objetivo de limitar o aquecimento global a 1,5 °C. O secretário-geral da ONU, António Guterres, classificou a possível perda da meta como “uma falha moral” e cobrou ação imediata dos governos.


Roteiro para fim dos combustíveis fósseis domina negociações


Um dos pontos mais sensíveis da COP30 é a inclusão de um roteiro global para eliminação gradual dos combustíveis fósseis. A proposta enfrenta resistência de países produtores de petróleo e gás, mas vem ganhando força entre nações vulneráveis, a União Europeia e representantes da sociedade civil. A ministra brasileira do Meio Ambiente, Marina Silva, pediu “coragem política” dos países para avançar na transição energética, destacando que a Amazônia, sede histórica desta COP, simboliza a urgência da ação climática.


Plano de Saúde Climática avança


A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o governo brasileiro lançaram a Belém Health Action Plan, que reconhece a crise climática como uma emergência sanitária global. O plano aponta que ondas de calor já causam mais de 500 mil mortes anuais e que quase 10% das unidades de saúde do planeta estão vulneráveis a eventos extremos. O documento deve integrar o pacote final de acordos da conferência.


Protestos indígenas marcam o fim de semana


Durante o fim de semana, centenas de indígenas, com forte presença do povo Munduruku, bloquearam uma das entradas principais do evento para cobrar maior participação nas decisões e exigir o fim de projetos de mineração na Amazônia. A mobilização faz parte de uma série de atos que vêm ocorrendo desde o início da COP30. Lideranças denunciam que decisões cruciais continuam sendo tomadas sem consulta adequada às comunidades tradicionais, apesar de o Brasil ser signatário de acordos internacionais que garantem esse direito.


Ausência dos Estados Unidos gera críticas


A ausência de uma delegação oficial de alto nível dos Estados Unidos, pela primeira vez na história das COPs, tem sido vista como um sinal negativo para as negociações. Apenas governos locais e representantes da sociedade civil norte-americana participam em Belém. Especialistas afirmam que a falta de presença do país mais rico do mundo enfraquece as discussões sobre financiamento climático, tema considerado essencial para que países pobres consigam se adaptar aos impactos das mudanças climáticas.


Resumo do cenário



  • A COP30 segue com desafios significativos:

  • Divergências sobre financiamento climático;

  • Conflitos envolvendo combustíveis fósseis;

  • Tensões entre países desenvolvidos e em desenvolvimento;

  • Protestos crescentes e críticas à falta de participação de comunidades vulneráveis.


 


Os próximos dias serão decisivos para que negociadores encontrem consenso e apresentem um documento final que reflita avanços reais e não apenas declarações de intenção.

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