• 24 de novembro de 2025
  • JORNAL DO MEIO AMBIENTE DO ESTADO DE SÃO PAULO
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COP30 é encerrada em Belém com acordos sobre adaptação, transição justa e novo fundo para florestas; fase-out de fósseis fica sem consenso

Por Amanda Carolina Tostes


Belém (PA) – A 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30) terminou neste sábado (22) com a aprovação do chamado Pacote de Belém, um conjunto de 29 decisões negociadas por 195 países. O acordo final trouxe avanços principalmente em adaptação climática, financiamento e justiça social, mas deixou de fora um dos pontos mais aguardados: um compromisso global para eliminar gradualmente os combustíveis fósseis.


A presidência brasileira destacou que a COP30 marcou o início de um “mutirão global de implementação”, com foco em transformar negociações em ações concretas ao longo dos próximos anos.


Triplo financiamento para adaptação


Um dos principais resultados do encontro foi o compromisso de triplicar os recursos globais para adaptação até 2035, uma reivindicação histórica de países mais vulneráveis aos efeitos extremos do clima.


O acordo inclui ainda o Roteiro de Adaptação Baku 2026–2028 e a adoção de 59 indicadores voluntários para monitorar o avanço de políticas de adaptação em água, agricultura, saúde, infraestrutura e ecossistemas. Organizações da sociedade civil celebraram a conquista, mas alertam que os valores ainda precisam ser detalhados e confirmados pelos países doadores.


Transição justa ganha espaço inédito


A COP30 também consolidou a pauta da transição justa, incorporando ao texto final princípios de equidade e a proteção de comunidades mais afetadas pela crise climática — especialmente povos indígenas, quilombolas e populações tradicionais. Foi criado um mecanismo de cooperação internacional para capacitação técnica, financiamento e troca de tecnologias entre países em desenvolvimento.


Avanços na participação de mulheres


Delegações aprovaram um novo Plano de Ação de Gênero, com verbas específicas para ampliar a presença de mulheres, sobretudo indígenas e rurais, em espaços de decisão climática. O documento reforça que políticas ambientais devem considerar impactos diferenciados entre homens e mulheres.


Lançamento do fundo Florestas Tropicais para Sempre


No último dia da conferência, o Brasil anunciou o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, iniciativa que pretende remunerar países que preservam biomas essenciais ao equilíbrio climático, como a Amazônia, o Congo e o Sudeste Asiático. O mecanismo ainda depende de captação internacional para começar a operar, mas foi considerado por especialistas um dos legados políticos da COP30.


NDCs para 2035


Segundo a ONU, 122 países apresentaram novas ou atualizadas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), com metas de redução de emissões para 2035. As revisões são parte do compromisso do Acordo de Paris de fortalecer periodicamente os esforços de descarbonização.


Implementação: foco do pós-COP30


Reforçando o caráter prático da conferência, a presidência lançou o plano FINI (Fostering Investible National Implementation), que visa tornar projetos climáticos mais atrativos para investimentos privados e bancos de desenvolvimento. Parcerias já foram anunciadas com instituições como o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Fundo Verde para o Clima.


Ponto crítico: combustíveis fósseis ficam sem acordo


Apesar dos avanços sociais, a COP30 terminou sob críticas pela falta de consenso sobre um roteiro global de eliminação dos combustíveis fósseis. Países produtores de petróleo pressionaram para suavizar a linguagem, e o texto final não estabelece datas ou metas vinculantes para encerrar o uso de carvão, petróleo e gás. Organizações ambientais classificaram o resultado como “insuficiente diante da emergência climática”.


Legado da conferência


Sediada em Belém, no coração da Amazônia, a COP30 destacou o papel crítico das florestas tropicais na estabilidade climática global e ampliou o debate sobre justiça social em políticas ambientais. Agora, governos, empresas e sociedade civil entram na fase mais desafiadora: transformar compromissos multilaterais em ações locais e mensuráveis.

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