• 15 de junho de 2026
  • JORNAL DO MEIO AMBIENTE DO ESTADO DE SÃO PAULO
  • 15

Cinco coisas que precisa de saber sobre os plásticos nos oceanos

Uma grande maioria dos objetos que utilizamos são compostos por plástico. Estes materiais representam conveniência: a sua durabilidade torna a nossa dependência deles quase inevitável, mas também prejudica o ambiente. Os plásticos de maiores dimensões sufocam a fauna selvagem e alteram habitats frágeis, antes de se degradarem em microplásticos tóxicos que envenenam a cadeia alimentar. Mesmo quando se desintegram completamente a nível físico, as suas ligações químicas permanecem, bem como os seus impactos.


Mais de 4 mil espécies marinhas afetadas pelos plásticos
Atualmente, mais de 4.000 espécies marinhas são afetadas pelos plásticos, segundo a Avaliação Mundial dos Oceanos, a única análise global que abrange os três pilares do desenvolvimento sustentável: ambiental, económico e social. Ian Butler, editor do relatório de 1.600 páginas que inclui o trabalho de mais de 650 especialistas, afirmou que todo o sistema marinho é afetado: “a alimentação, o metabolismo, o sistema imunitário, o crescimento e a reprodução. Enfraquece-os, mata-os e altera as populações.”


Antes do Dia Mundial dos Oceanos, a 8 de junho, aqui ficam cinco pontos essenciais sobre os plásticos nos oceanos:
1. A poluição por plásticos nos oceanos continua a aumentar
A quantidade de plástico nos oceanos continua a crescer, impulsionada por má gestão de resíduos, deposição de lixo, abrasão de microplásticos e atividades marítimas. Estima-se que as emissões de resíduos plásticos atinjam 52,1 milhões de toneladas métricas por ano.


 2. Efeitos a longo prazo ainda são desconhecidos
Estima-se que existam cerca de 24,4 bilhões de partículas de microplásticos nos oceanos superficiais. No entanto, o conhecimento sobre os seus efeitos biológicos a longo prazo ainda é muito limitado. Quanto mais pequenos e invisíveis se tornam, mais difícil é detetá-los, monitorizá-los, removê-los e avaliar os seus riscos.


3. O plástico de uso único é uma grande fonte de lixo
Os plásticos descartáveis representam cerca de 40% do lixo global, enquanto a pesca contribui com cerca de 15%, com variações entre países mais e menos desenvolvidos. Reduzir o problema implica diminuir a produção, promover a reutilização, repensar o design dos produtos, melhorar a inovação na reciclagem e encontrar alternativas ao plástico de uso único.


4. A poluição por plástico é também social e económica
Embora represente uma ameaça significativa para os habitats marinhos, a poluição por plástico também reduz a resiliência dos ecossistemas, os meios de subsistência humanos e a segurança alimentar. Os custos recaem fortemente sobre setores dependentes do oceano. Turismo, pesca e transporte marítimo perdem milhares de milhões de dólares por ano devido à redução de receitas e aos custos de limpeza.


5. A prevenção e acordo internacional são essenciais
A solução não passa apenas por mais limpezas de praias ou mais reciclagem. Segundo a avaliação, é necessário agir também na redução da produção, melhoria dos materiais e desenvolvimento de alternativas aos plásticos descartáveis. “Alguns países consideram que seriam prejudicados de forma injusta por certas restrições, e que as suas economias sofreriam mais do que as de outros países que não dependem da produção de plástico”, explicou Ian Butler. O método mais eficaz para reduzir a poluição por plásticos passa por um acordo internacional. Contudo, após seis anos de negociações, ainda não foi alcançado um acordo sobre estes plásticos entre os 193 Estados-membros da ONU.

Empresas participantes