• 27 de fevereiro de 2025
  • JORNAL DO MEIO AMBIENTE DO ESTADO DE SÃO PAULO
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Em Roma, COP16 retoma negociações sobre proteção da biodiversidade BR

Encontro prossegue com conversações suspensas ano passado em Cali, na Colômbia; países estarão focados em garantir mecanismos de financiamento para conservar espécies animais e vegetais; especialistas ressaltam precedente positivo de fundo criado para compartilhar benefícios do uso de informações genéticas.


Negociações sobre a conservação da biodiversidade, iniciadas em 2024, em Cali, na Colômbia, serão retomadas nesta terça-feira, em Roma, na Itália.


A continuação da 16ª reunião da Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica, COP16, ocorre após o encontro ter sido suspenso por falta de quórum na etapa final.


Rumo para a conservação
A nova rodada será realizada na sede da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO.


Para diretor de Clima, Biodiversidade e Meio Ambiente da agência, o objetivo da conferência é definir um rumo para a conservação e uso sustentável da biodiversidade nos próximos anos, não apenas em um contexto global, mas em níveis nacional e local.


Kaveh Zahedi ressaltou que a biodiversidade sustenta a própria produtividade, resiliência e sustentabilidade dos sistemas agroalimentares, tornando-a “indispensável para a segurança alimentar a longo prazo”.


Ele disse que esta reunião tem um papel chave de garantir a base financeira necessária para dar vida ao Quadro Global de Biodiversidade Kunming-Montreal, o maior acordo internacional sobre conservação da fauna e da flora.


Conquistas alcançadas em Cali
Mesmo com a interrupção das negociações, a conferência na Colômbia produziu um acordo histórico sobre compartilhamento de benefícios da exploração de informações genéticas do mundo natural.


Os governos concordaram em estabelecer o “Fundo de Cali”, que será abastecido com uma porcentagem do lucro ou receitas de empresas que se beneficiam do uso desses recursos genéticos. Isso inclui indústrias como a farmacêutica, a de biotecnologia e aquelas ligadas à agricultura.


Com essa fonte inovadora de financiamento, o fundo pretende beneficiar países em desenvolvimento, povos indígenas e comunidades locais.


A COP 16 também endossou medidas para aumentar as contribuições dos indígenas e criou um órgão permanente para que este grupo e seus conhecimentos tradicionais tenham um peso maior na implementação da Convenção sobre Diversidade Biológica.


Assuntos inacabados
Para o encontro em Roma, uma das prioridades é a mobilização de recursos financeiros para a biodiversidade, com a meta de garantir US$ 200 bilhões anualmente até 2030 de todas as fontes.


Outra discussão importante na área de financiamento será a redução de incentivos prejudiciais em pelo menos US$ 500 bilhões, por ano, até 2030.


As partes também estão em busca do estabelecimento de um instrumento de financiamento global para a biodiversidade, para superar a fragmentação observada atualmente.


A melhoria de ações de planejamento e monitoramento de acordos internacionais e de indicadores nacionais representam outra grande tarefa inacabada.

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