• 04 de agosto de 2025
  • JORNAL DO MEIO AMBIENTE DO ESTADO DE SÃO PAULO
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Energia Limpa em Alta: Renováveis Crescem Quase 20% e Evitam Gasto Bilionário com Combustíveis Fósseis

Produção solar e eólica avança no mundo, reduz custos e reforça papel estratégico na transição energética, mas ritmo ainda é insuficiente para atingir meta da COP28


O avanço das tecnologias limpas e a queda no custo de implementação impulsionaram um crescimento recorde de 19,8% na capacidade global de geração por fontes renováveis em 2024. O dado, divulgado em relatório da Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA), representa o maior salto desde o início das medições, no ano 2000, e significou uma economia estimada de US$ 470 bilhões em combustíveis fósseis.


O desempenho do setor foi celebrado pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, que classificou o avanço como uma "mudança de possibilidade" em meio à crise climática. “Mais de 90% das novas energias renováveis em todo o mundo produziram eletricidade por menos do que a alternativa de combustível fóssil nova mais barata. Isso é reparar nossa relação com o clima”, afirmou.


Segundo a IRENA, a energia solar — que já custou quatro vezes mais do que as fontes fósseis — agora é, em média, 41% mais barata. No caso da energia eólica offshore (em alto-mar), a economia alcança 53%. As usinas eólicas terrestres continuam sendo a fonte mais econômica, com custo médio global de US$ 0,034/kWh. No Brasil, esse valor caiu para US$ 0,030/kWh, atrás apenas da China (US$ 0,029/kWh).


Entre as fontes renováveis, a energia solar fotovoltaica ocupa a segunda posição em custo-benefício, com US$ 0,043/kWh, seguida pela hidrelétrica (US$ 0,057/kWh).


Em números absolutos, foram 582 gigawatts adicionados em 2024 — 452,1 GW de energia solar e 114,3 GW de eólica. Com isso, a capacidade renovável global atingiu 4.443 gigawatts.


Apesar do avanço, a IRENA alerta que o ritmo atual ainda está abaixo do necessário para cumprir a ambiciosa meta da COP28, que prevê triplicar a capacidade renovável até 2030, alcançando 11,2 terawatts. Para isso, seria preciso mais que dobrar o volume anual de crescimento registrado em 2024, passando para 1.000 GW por ano.


O relatório também aponta riscos que podem frear a tendência positiva, como barreiras comerciais, instabilidade política e dificuldades na cadeia de suprimentos. “A transição para as energias renováveis é irreversível, mas seu ritmo e justiça dependem das escolhas que fazemos hoje”, reforçou Francesco La Camera, diretor-geral da IRENA.


Por Amanda Carolina Tostes

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