Por Amanda Carolina Tostes
Espécie invasora se espalha por diferentes regiões do país, ameaça ecossistemas aquáticos e pode elevar os custos de manutenção de hidrelétricas e sistemas de abastecimento. A expansão de uma espécie invasora nos rios brasileiros está despertando preocupação entre especialistas e setores que dependem dos recursos hídricos. O mexilhão-dourado (Limnoperna fortunei), molusco originário da Ásia, vem se disseminando por diferentes bacias hidrográficas do país, com registros que alcançam regiões da Amazônia e do Nordeste.
Introduzido acidentalmente na América do Sul, o animal apresenta elevada capacidade de reprodução e consegue formar grandes colônias, fixando-se em rochas, embarcações, tubulações e outras superfícies submersas. Essa característica favorece sua disseminação e amplia os riscos ambientais e econômicos associados à espécie.
De acordo com reportagem publicada pelo UOL nesta quinta-feira (22), um estudo de 2025 identificou concentrações de até 15.849 indivíduos por metro quadrado no rio Tocantins, evidenciando o potencial de ocupação desses ambientes.
Uma ameaça à biodiversidade aquática
A presença do mexilhão-dourado pode alterar o equilíbrio dos ecossistemas de água doce. Ao se estabelecer em grandes quantidades, o molusco compete com espécies nativas por recursos e modifica as condições ambientais dos locais onde se instala. A disseminação de espécies exóticas invasoras é considerada um dos desafios para a conservação da biodiversidade. Quando encontram condições favoráveis e poucos predadores naturais, essas espécies podem se multiplicar rapidamente e tornar o controle mais difícil.
A preocupação aumenta quando a invasão alcança ambientes de grande relevância ecológica, como rios e áreas aquáticas da Amazônia, que abrigam uma enorme diversidade de organismos e desempenham funções essenciais para o equilíbrio ambiental.
Impactos podem chegar às hidrelétricas e ao abastecimento
Os riscos não se limitam à vida aquática. O mexilhão-dourado pode aderir às estruturas utilizadas para captação e circulação de água, provocando obstruções e exigindo operações frequentes de limpeza e manutenção. Em usinas hidrelétricas, a presença do molusco pode elevar os custos operacionais e comprometer o funcionamento de determinados sistemas. Os impactos também podem atingir atividades de irrigação, navegação, pesca e abastecimento público. A situação demonstra como um problema ambiental pode se transformar em um desafio econômico e social, afetando serviços essenciais e atividades produtivas que dependem diretamente dos rios.
Prevenção é fundamental para conter a disseminação
Como a erradicação de populações já estabelecidas pode ser extremamente difícil, as estratégias de enfrentamento precisam priorizar a prevenção, o monitoramento e a redução dos danos. A fiscalização e a higienização adequada de embarcações e equipamentos que circulam entre diferentes corpos d'água são medidas importantes para reduzir o risco de transportar organismos para novas áreas. O acompanhamento técnico das bacias hidrográficas também permite identificar focos de invasão e orientar ações de controle. A integração entre órgãos ambientais, instituições de pesquisa, empresas de saneamento e operadores de hidrelétricas é fundamental para desenvolver soluções eficazes e compartilhar informações sobre a distribuição da espécie.
Proteger os rios é proteger o futuro
O avanço do mexilhão-dourado reforça a necessidade de tratar a conservação dos recursos hídricos como uma prioridade ambiental e estratégica. Rios saudáveis sustentam a biodiversidade, abastecem cidades, movimentam a economia e garantem condições essenciais à vida. Diante desse cenário, o monitoramento contínuo e a prevenção de novas introduções são fundamentais para reduzir os impactos de espécies invasoras e proteger os ecossistemas brasileiros. A situação serve de alerta, preservar a água não significa apenas combater a poluição, mas também compreender e enfrentar as ameaças biológicas capazes de alterar o equilíbrio dos ambientes aquáticos.