• 19 de novembro de 2025
  • JORNAL DO MEIO AMBIENTE DO ESTADO DE SÃO PAULO
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Proposta brasileira para eliminar combustíveis fósseis ganha apoio e mobiliza jovens na COP30

Por Amanda Carolina Tostes


A proposta do Brasil de incluir, no texto oficial da COP30, um roteiro claro para a eliminação gradual dos combustíveis fósseis ganhou força nesta terça-feira (18). Ministros de países como Alemanha, Reino Unido, Colômbia, Quênia, Serra Leoa e Ilhas Marshall declararam apoio à iniciativa, ampliando as chances de que o tema entre na decisão final da conferência, prevista para ser votada nesta quarta-feira. O objetivo central da proposta é acelerar ações que mantenham vivo o limite de 1,5°C de aquecimento global, meta que a ciência aponta como fundamental para evitar impactos climáticos catastróficos.


Demanda por decisão imediata


As delegações favoráveis afirmam que a transição energética precisa constar de forma clara e fortalecida no texto final. Após as declarações dos ministros, a campeã da Juventude da COP30, Marcele Oliveira, foi convidada a falar. Em seu discurso, ela destacou que crianças e jovens em todo o mundo aguardam uma decisão imediata sobre a eliminação dos combustíveis fósseis, classificada por ela como “absoluta prioridade”. Marcele afirmou que essa fonte energética está “destruindo sonhos” e que superar a dependência do petróleo, carvão e gás representa “a mobilização de justiça climática mais importante dessa geração”.


Proteção do futuro


Em entrevista à ONU News, Marcele reforçou que a proteção do futuro das crianças e jovens deve ser prioridade na COP30. Ela lembrou da decisão da Corte Internacional de Justiça que reconhece a inação climática dos países como crime ambiental. “A gente precisa pressionar os países pelas melhores decisões climáticas. É claro que a gente precisa se afastar dos combustíveis fósseis, investir na proteção da floresta e proteger quem protege”, disse. Para ela, reconhecer o trabalho dos jovens em ações locais também é essencial.


“Batalha decisiva”, diz Guterres


Durante encontro com jovens, o secretário-geral da ONU, António Guterres, se desculpou com as novas gerações pela falha histórica em conter a crise climática. Ele alertou que o mundo inevitavelmente ultrapassará 1,5°C nos próximos anos, mas ressaltou a importância de fazer com que essa ultrapassagem seja “o mais curta possível”. Guterres afirmou que a transição dos combustíveis fósseis para energias renováveis é imprescindível, e pediu que os jovens continuem pressionando governos e empresas.


“Não queremos ser ativistas, queremos ser crianças”


A fala de João Victor da Silva, de 16 anos, emocionou Guterres. “Não queremos ser ativistas, queremos ser crianças e adolescentes, mas infelizmente os adultos não estão tomando as decisões certas”, declarou. O jovem Nigel Maduro, de Aruba, relatou que vê as praias onde aprendeu a nadar desaparecerem devido ao avanço do mar. Países insulares do Caribe enfrentam temperaturas recordes e erosão acelerada, e ele teme que as negociações não avancem antes que seu país seja destruído. Outros jovens também apresentaram propostas para construir um futuro habitável. Guterres destacou que a participação significativa de jovens — especialmente indígenas, traria resultados mais eficazes às COPs. Ele reconheceu a demanda por financiamento direto aos povos indígenas, com menos burocracia, e se comprometeu a trabalhar por isso.


Protestos marcam a COP30


A líder indígena Txai Suruí disse à ONU News que a reunião com jovens foi um dos momentos mais “esperançosos e alegres” da conferência. Ela afirmou que a Amazônia está próxima de um ponto de não retorno e pode caminhar para a desertificação caso medidas urgentes não sejam tomadas. Txai destacou que os protestos são “um diferencial da COP30”, reforçando que a democracia brasileira permite a pressão pública, essencial para que líderes tomem decisões pela vida.


Transição justa


A ativista criticou o forte lobby de empresas fósseis, que considera maior do que o de várias delegações e do próprio movimento indígena. Apesar disso, ela vê maior reconhecimento dos povos originários como guardiões da floresta. Para Marcele Oliveira, a transição energética precisa ser justa, ouvindo e acolhendo os territórios mais afetados. Ela defende medidas como a demarcação de terras indígenas para que a mudança de modelo energético não se torne ainda mais traumática para populações já vulneráveis.


Por Amanda Carolina Tostes

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