Sistema Cantareira continuará na Faixa de Atenção em novembro, apesar da recuperação dos reservatórios
  • 03 de novembro de 2026
  • JORNAL DO MEIO AMBIENTE DO ESTADO DE SÃO PAULO
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Sistema Cantareira continuará na Faixa de Atenção em novembro, apesar da recuperação dos reservatórios

<p>Manancial registra aumento no volume &uacute;til em outubro, mas permanece em n&iacute;vel que exige aten&ccedil;&atilde;o e medidas de gest&atilde;o para garantir a seguran&ccedil;a h&iacute;drica da Grande S&atilde;o Paulo e das Bacias PCJ.</p>
<p>Por Amanda Carolina Tostes</p>
<p>O Sistema Cantareira, um dos principais respons&aacute;veis pelo abastecimento de &aacute;gua da Regi&atilde;o Metropolitana de S&atilde;o Paulo, continuar&aacute; operando na Faixa 2. A decis&atilde;o foi anunciada pela Ag&ecirc;ncia Nacional de &Aacute;guas e Saneamento B&aacute;sico (ANA) e pela Ag&ecirc;ncia de &Aacute;guas do Estado de S&atilde;o Paulo (SP &Aacute;guas), considerando o volume armazenado nos reservat&oacute;rios ao final de outubro. Embora o sistema apresente sinais de recupera&ccedil;&atilde;o, os indicadores ainda exigem cautela. No dia 30 de outubro, o Cantareira registrou 50,69% de seu volume &uacute;til, percentual superior aos 41,10% observados em 30 de setembro. O crescimento representa uma melhora importante na disponibilidade h&iacute;drica, mas n&atilde;o &eacute; suficiente para alterar a classifica&ccedil;&atilde;o operacional estabelecida pelas regras de gest&atilde;o do manancial.</p>
<p>De acordo com a Resolu&ccedil;&atilde;o Conjunta n&ordm; 925, de 29 de maio de 2017, quando o volume &uacute;til do sistema permanece entre 40% e 60% no &uacute;ltimo dia &uacute;til do m&ecirc;s, a opera&ccedil;&atilde;o seguinte ocorre na Faixa 2. Dessa forma, em novembro, a Companhia de Saneamento B&aacute;sico do Estado de S&atilde;o Paulo (Sabesp) poder&aacute; retirar at&eacute; 31 metros c&uacute;bicos de &aacute;gua por segundo (m&sup3;/s) do Sistema Cantareira, respeitando os limites estabelecidos pela regulamenta&ccedil;&atilde;o.</p>
<p><strong>Recupera&ccedil;&atilde;o dos reservat&oacute;rios ainda exige cautela</strong></p>
<p>O aumento do volume armazenado ao longo de outubro &eacute; um sinal positivo para a seguran&ccedil;a h&iacute;drica paulista. Entretanto, a recupera&ccedil;&atilde;o dos reservat&oacute;rios precisa ser analisada considerando a regularidade das chuvas, as condi&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas e a demanda crescente por &aacute;gua. A perman&ecirc;ncia na Faixa de Aten&ccedil;&atilde;o demonstra que a gest&atilde;o dos recursos h&iacute;dricos precisa continuar sendo conduzida com planejamento e responsabilidade. Mesmo diante de uma melhora nos n&iacute;veis de armazenamento, per&iacute;odos de estiagem, temperaturas elevadas e altera&ccedil;&otilde;es no regime de chuvas podem comprometer a recupera&ccedil;&atilde;o dos mananciais. Como medida complementar, a Sabesp poder&aacute; utilizar, em novembro, a vaz&atilde;o eventualmente transposta do reservat&oacute;rio da Usina Hidrel&eacute;trica Jaguari, localizado na bacia do rio Para&iacute;ba do Sul, desde que respeitados os limites da outorga concedida. A medida busca contribuir para a manuten&ccedil;&atilde;o do abastecimento e reduzir a press&atilde;o sobre o Sistema Cantareira.</p>
<p><strong>Abastecimento de milh&otilde;es de pessoas depende da gest&atilde;o da &aacute;gua</strong></p>
<p>A import&acirc;ncia do Cantareira ultrapassa os limites da Regi&atilde;o Metropolitana de S&atilde;o Paulo. O sistema abastece aproximadamente metade da popula&ccedil;&atilde;o da regi&atilde;o e tamb&eacute;m contribui para atender diferentes usos da &aacute;gua nas Bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundia&iacute; (PCJ), incluindo o abastecimento de Campinas e de outros munic&iacute;pios. Sua estrutura &eacute; formada por cinco reservat&oacute;rios interligados: Jaguari, Jacare&iacute;, Cachoeira, Atibainha e Paiva Castro. Juntos, possuem volume &uacute;til total de aproximadamente 981,56 bilh&otilde;es de litros. Desde 2018, o sistema tamb&eacute;m conta com a interliga&ccedil;&atilde;o entre a represa da Usina Hidrel&eacute;trica Jaguari, na bacia do Para&iacute;ba do Sul, e a represa Atibainha, ampliando as possibilidades de transfer&ecirc;ncia de &aacute;gua e contribuindo para a seguran&ccedil;a do abastecimento. Por sua dimens&atilde;o e import&acirc;ncia estrat&eacute;gica, o Cantareira representa um dos principais exemplos da necessidade de planejamento integrado dos recursos h&iacute;dricos, especialmente em regi&otilde;es densamente povoadas e sujeitas a per&iacute;odos de escassez.</p>
<p><strong>Gest&atilde;o compartilhada e monitoramento permanente</strong></p>
<p>A administra&ccedil;&atilde;o do Sistema Cantareira &eacute; realizada conjuntamente pela ANA e pela SP &Aacute;guas, que acompanham diariamente os n&iacute;veis dos reservat&oacute;rios, as vaz&otilde;es e os volumes armazenados. Durante o per&iacute;odo seco, entre 1&ordm; de junho e 30 de novembro de 2026, as solicita&ccedil;&otilde;es de vaz&otilde;es destinadas &agrave;s Bacias PCJ s&atilde;o encaminhadas pelos Comit&ecirc;s das Bacias Hidrogr&aacute;ficas dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundia&iacute; &agrave; SP &Aacute;guas. Esse modelo de gest&atilde;o compartilhada busca equilibrar as necessidades de abastecimento p&uacute;blico, atividades econ&ocirc;micas e demais usos da &aacute;gua, respeitando os limites estabelecidos para a opera&ccedil;&atilde;o do sistema. As regras atuais foram estruturadas ap&oacute;s a grave crise h&iacute;drica enfrentada pelo estado de S&atilde;o Paulo em 2014 e 2015. A experi&ecirc;ncia daquele per&iacute;odo evidenciou a import&acirc;ncia de mecanismos permanentes de monitoramento, planejamento e controle das retiradas de &aacute;gua.</p>
<p><strong>Uso consciente da &aacute;gua &eacute; responsabilidade de todos</strong></p>
<p>Diante da perman&ecirc;ncia do Cantareira na Faixa de Aten&ccedil;&atilde;o, a ANA e a SP &Aacute;guas refor&ccedil;am a necessidade de medidas para reduzir o consumo e as perdas de &aacute;gua nos sistemas de abastecimento. As recomenda&ccedil;&otilde;es tamb&eacute;m se estendem &agrave; popula&ccedil;&atilde;o, aos setores produtivos, &agrave;s ind&uacute;strias, &agrave; agricultura e aos demais usu&aacute;rios dos recursos h&iacute;dricos. Atitudes como evitar desperd&iacute;cios, corrigir vazamentos, reduzir o tempo de banho, reaproveitar &aacute;gua sempre que poss&iacute;vel e utilizar equipamentos mais eficientes s&atilde;o medidas que contribuem para preservar os reservat&oacute;rios. Al&eacute;m das a&ccedil;&otilde;es individuais, &eacute; fundamental que os munic&iacute;pios e as empresas respons&aacute;veis pelo abastecimento invistam na moderniza&ccedil;&atilde;o das redes de distribui&ccedil;&atilde;o, no controle de perdas e em estrat&eacute;gias de gest&atilde;o da demanda. A seguran&ccedil;a h&iacute;drica n&atilde;o depende apenas da quantidade de chuva, mas tamb&eacute;m da capacidade de planejar, armazenar, distribuir e utilizar a &aacute;gua de maneira eficiente.</p>
<p><strong>Seguran&ccedil;a h&iacute;drica exige planejamento e compromisso ambiental</strong></p>
<p>A recupera&ccedil;&atilde;o parcial do Sistema Cantareira em outubro representa um avan&ccedil;o, mas a perman&ecirc;ncia na Faixa de Aten&ccedil;&atilde;o refor&ccedil;a que a situa&ccedil;&atilde;o ainda exige acompanhamento e responsabilidade. Em um cen&aacute;rio de mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, eventos extremos e altera&ccedil;&otilde;es no regime de chuvas, proteger os mananciais e garantir a disponibilidade de &aacute;gua para as pr&oacute;ximas gera&ccedil;&otilde;es tornou-se um dos grandes desafios ambientais e sociais. Mais do que acompanhar os &iacute;ndices dos reservat&oacute;rios, &eacute; necess&aacute;rio compreender que a &aacute;gua &eacute; um recurso essencial, limitado e indispens&aacute;vel &agrave; vida, &agrave; economia e ao desenvolvimento sustent&aacute;vel. O cen&aacute;rio do Cantareira deixa um alerta importante: a seguran&ccedil;a h&iacute;drica precisa ser uma prioridade permanente, e n&atilde;o apenas uma preocupa&ccedil;&atilde;o nos per&iacute;odos de estiagem. Preservar a &aacute;gua hoje &eacute; garantir qualidade de vida, equil&iacute;brio ambiental e abastecimento para o futuro.</p>
<p>Fonte de dados: Ag&ecirc;ncia Nacional de &Aacute;guas e Saneamento B&aacute;sico (ANA) e Ag&ecirc;ncia de &Aacute;guas do Estado de S&atilde;o Paulo (SP &Aacute;guas).</p>

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