• 21 de novembro de 2025
  • JORNAL DO MEIO AMBIENTE DO ESTADO DE SÃO PAULO
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Último dia da COP30 em Belém é marcado por tensão, retomada das negociações e expectativa por um acordo final

Por Amanda Carolina Tostes


Nesta sexta-feira (21), último dia oficial da COP30, o clima é de expectativa e nervosismo. Depois de um incêndio que paralisou parte das negociações na véspera, os delegados retomaram as sessões com a pressão para selar um texto final que contemple finanças climáticas, transição energética e adaptação.


Incêndio complica reta final das negociações


Na quinta-feira (20), um incêndio atingiu a chamada “Zona Azul” da conferência, área onde ocorrem as negociações oficiais. Ao menos 13 pessoas foram atendidas por inalação de fumaça, segundo autoridades de saúde. O presidente da COP30, André Corrêa do Lago, admitiu que o incidente poderia afetar o ritmo das discussões.
A retomada das sessões aconteceu na manhã desta sexta-feira, com a reabertura parcial de salas a partir das 9h.


Desmontagem de estandes e urgência por um acordo 


Enquanto as negociações correm, delegações já começaram a desmontar pavilhões. Apesar disso, há um esforço para chegar a um consenso ainda hoje: a presidência brasileira apostou num “mutirão” diplomático para acordar pontos-chave, como financiamento para adaptação e os contornos da redução de combustíveis fósseis.


Pressões e impasses políticos


O rascunho de acordo final tem gerado críticas sérias de parte de países desenvolvidos, especialmente da União Europeia, que acusa o texto de ser fraco e de deixar de lado metas mais ambiciosas para a redução de emissões e a eliminação gradual de combustíveis fósseis.
Politico. Por outro lado, grupos de países emergentes, incluindo membros do BRICS, estariam defendendo uma versão mais comedida do texto, argumentando que diferentes nações têm ritmos de transição distintos.


Apostas em financiamento e adaptação 


Entre os temas mais sensíveis está o financiamento climático. Há pressão para que os países ricos aumentem seus aportes para adaptação, especialmente para nações vulneráveis e também para que se crie um mecanismo mais robusto de perdas e danos.


Cenário simbólico e político para o Brasil


Sediar a COP30 coloca o Brasil no centro da diplomacia climática. A expectativa é que um acordo, ainda que tímido, fortaleça a imagem do país como ator relevante nas negociações globais e possibilite atrair investimentos para a Amazônia e para projetos verdes.


Riscos e críticas à ambição do texto final


Críticos argumentam que, sem metas claras para eliminar combustíveis fósseis, o acordo pode ficar muito aquém do que a ciência recomenda. A falta de ambição também pode minar a credibilidade da COP30, especialmente após a pressão de países que pedem ações mais fortes.


Próximos passos


Se for fechado hoje, o acordo da COP30 será um compromisso global para os próximos anos, mas tudo dependerá da capacidade dos diplomatas de manter o consenso até o fim da conferência. Caso não haja um consenso claro, poderá haver extensão das negociações ou, no mínimo, a promessa de retomar os pontos críticos em futuras COPs.

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